Há quase um século Freud formulou a pergunta que até hoje
intriga pela falta de uma resposta minimamente satisfatória. – “Afinal, o que querem as mulheres?”. A
maioria delas parece estar à deriva entre ciclos de romance e frustração,
frequentemente expostas a surtos recorrentes de melancolia por não conseguirem
realizar seus desejos mais caros. Entenda-se por desejos uma relação amorosa
equilibrada, na qual existam ingredientes razoavelmente abundantes de romance,
surpresa, renovação, confiança, proteção e, sobretudo, condições de entrega.
A natureza feminina parece ansiar pela possibilidade da
entrega, mas um número expressivo de mulheres deixará de fazê-lo, seja pela
escassez crônica de machos de verdade, seja por suas próprias dificuldades em
lidar com genes e instintos sobre os quais têm um conhecimento relativamente
restrito. Além disso, existem outras coisas que jogam pesado contra o bem-estar
das mulheres. A dureza da vida, a dificuldade natural para encontrar o melhor
caminho e, sobretudo, a moral puritana que manterá suas asas contidas e a
imaginação perplexa com sonhos que poucas vezes chegam a se realizar.
E para complicar mais as coisas, elas serão ainda seduzidas
pela flauta doce dos discursos feministas, sem falar nas promessas de redenção
através de interesses alternativos como sucesso, dinheiro, prestígio
profissional, enfim, coisas também importantes para todo o mundo, mas, de
longe, bem menos valiosas do que os reais fundamentos da alma feminina.
Não é por acaso que muitas mulheres passam a vida correndo
de um lado para outro, um tanto sem rumo, cada vez mais distantes dos sonhos
que expressam de forma tão inequívoca enquanto conversam entre si daquele jeito
inacreditável, todas falando ao mesmo tempo, sem jamais perderem o fio da
meada. Finalmente, vale ainda lembrar que a vida pode ser longa e que o tempo
só tende a piorar essa dura realidade.
Que bom seria se as mulheres pudessem reduzir um pouco a
velocidade dessa caudalosa correnteza e trabalhar de forma mais objetiva, no
sentido de resolver o enigma de Freud, respondendo de forma minimamente
razoável à pergunta que até hoje não quer calar: afinal o que é que elas querem?
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