segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Tragédia em Flores da Cunha - Socorrista de ambulância da prefeitura não poderia imaginar que esse chamado iria mudar sua vida

Jovem morreu quando a moto em que estava foi atingida por um Palio, cujo condutor estava embriagado.



Flores da Cunha – Motorista e socorrista da ambulância da prefeitura, Gilmar Lodeas, 47 anos, se deslocava para atender a mais um acidente de trânsito, na manhã de sexta. Ao chegar ao ponto do acidente, Gilmar gelou: era a moto de um sobrinho que estava caída no asfalto. O socorrista sabia que o filho, Fabiano, 22, pegava carona diariamente com o primo Marcelo Negri, 38. Marcelo estava sentado. Fabiano, deitado. Gilmar correu em direção do filho a fim de removê-lo para a ambulância, mas ele estava morto.

O motorista do Palio que atingiu a moto, Roger Luis Puglia, 44, não se feriu, e foi preso por conduzir alcoolizado.

O condutor da moto, Marcelo Negri, 38, foi encaminhado ao Hospital do Círculo, em Caxias do Sul, e seguia internado até o fechamento desta edição A tragédia aconteceu por volta das 8h, no Km 89 da RS-122, em São Gotardo.

Gilmar conta que estava no posto de saúde de Flores quando foi acionado. Ele reforçaria o socorro a um acidente considerado gravíssimo, mas sequer sabia se alguém havia morrido. O socorrista revelou que não viu o filho sair de casa pela manhã, na localidade de Nova Roma. No entanto, sabia que Fabiano e o primo se dirigiam diariamente, naquele horário, para trabalhar em uma mecânica no bairro Fátima, em Caxias.

– Fui acionado pela Brigada Militar para ir ao acidente. Quando vi a moto do meu sobrinho, sabia que meu filho estava junto. Ao ver Marcelo sentado e com fratura, pensei que meu filho pudesse estar bem – relata o pai.

Outros socorristas, porém, se anteciparam e avisaram que o rapaz caído estava morto. Não sabiam que estavam informando o próprio pai.

– Eles me disseram: “Está em 30”. Sabe o que isso quer dizer? Ele estava em óbito. Tentei socorrer, mexer com meu filho, mas ele já estava sem vida – recorda o pai.

Gilmar trabalha há 11 anos como socorrista.

– Tanta gente que salvei nessa vida e não pude salvar meu próprio filho.

A mãe do jovem, Teresinha de Fátima Pedron, 48, suplica por punição.

– Só espero que a Justiça seja feita e que ele (o motorista do Palio) não pague fiança e daqui a pouco esteja solto de novo.

Além dos pais, Fabiano deixa um irmão de 19 anos e a namorada. O enterro será às 10h de sábado, no Cemitério Público Municipal de Flores da Cunha.

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